E
la chegou naquele meio de tarde pensando no que faria em seguida, um banho, um pouco de TV antes de tudo. Lembrou daquelas ameixas vermelhinhas…hummm…. Ok, um banho, TV e as ameixas. Entrou no corredor, tirando os sapatos, percebeu coisas dele na sala. Ele está aí, pensou, onde? No computador, aposto. No computador. No exato momento da resposta que deu para si a sensação. Aventura, novidade, um engolir seco, uma desconfiança provocadora. Pode ser que estivesse com alguém…é bem possível que estivesse…Uuuuufaaaa!…respiração e coração disparados. “Porque não sou como as outras mulheres?…pensou. Deveria estar com medo nesse instante, com todos os sinais de alerta ligados, mas não, não consigo evitar a curiosidade, a excitação, ai de mim.”
O ai foi seguido de uma espécie de alegria esperançosa. Talvez com ele fosse realmente diferente…. Já haviam conversado algumas vezes, mas ela sabia que as coisas com os homens nunca são tão fáceis assim. Ele não vai me julgar, se eu reagir como quero…será?
Mesmo assim, começou a torcer pela cena imaginada. Como seria surpreendê-lo pela primeira vez ? Estava nervosa. Quando estava quase chegando à porta, resolveu voltar e pegar as ameixas, tudo isso evitando o barulho, adorava prolongar para si mesma a expectativa.
Lavou-as e foi seguindo, mãos e frutas molhadas até o quarto de escritório. Parou na porta, sol de fim de tarde atravessando as cortinas fechadas. A luz forte da luminária próxima ao computador estava no corpo dele.
Poderia parecer muito engraçado, e até patético, mas não foi. A sensação dela, “tirei a sorte grande , meu deus…” deve ter-lhe transmitido algo no olhar, porque uma espécie de tímida cumplicidade foi imediatamente colocada.
Encontrava-se sentado, calças baixadas só até as coxas.
Adorou a cena. Já havia, nas brincadeiras entre eles, levado-o a ficar assim, quadril projetado para frente, oferecido. Na ocasião ficou concentrada por alguns segundos na barriga, coxas, pau…ficou até com vontade de se afastar um pouquinho, pedi-lo para passar a mão em si mesmo, tirar uma foto, mas não o fez. Ás vezes se sentia um pouco envergonhada das próprias taras.
Mas a culpa não era só dela. Não havia conhecido um homem que soubesse ficar em posição de objeto como ele. Nada a ver com esses corpos sarados, exibidores de músculos. Era algo entre o provocativo e vulnerável que não se podia saber se natural ou construído, quase um menino, ou talvez por instinto tivesse acesso discretamente a um viés dessa complexa esperteza feminina, sim, uma mulher sabe resgatar sua vulnerabilidade sempre que lhe convém, mas isso é raro nos homens, porque têm muito forte em si a cobrança pela iniciativa, pelo comando da situação.
Olhos nos olhos, parada à porta, deu um mordida na ameixa, pensando na melhor atitude que pudesse dizer: “Não pare, por favor.” Mas não queria dizer, queria que ele entendesse. Ele entendeu.
Desviou o olhar dela, engoliu seco, lábio inferior dentro da boca, respiração mais apressada. Ela entrou no quarto, movimentos como que pedindo discrição, que tudo se mantivesse, pensou em tirar a blusa branca, as ameixas poderiam manchá-la; mas não queria dar um sinal de apressar nada, então ajeitou -se colocando uma almofada entre a parede e seu corpo, e sentou-se no chão, precisando assim suspender razoavelmente com as mãos cheias a saia justa.
Do lugar onde estava visualisava o corpo dele totalmente, e muito pouco da tela do computador. Colocou as frutas no colo e encarou-o.
Mordida.
E passou a sentir o gosto da fruta muito concentrada nele e nas promessas da cena em si. Na próxima não mordeu mais, manteve a fruta na boca meio que sulgando, a língua sentindo o gosto enquanto ele se tocava para alguém sobre quem ela não tinha a mínima idéia.
então ela disse: Vem
Ele clicou imediatamente qualquer coisa, deu alguns passos em direção à ela oferecendo o pau para substituir a fruta, passou-lhe a mão nos cabelos e deixou que ela lambesse o quanto quisesse, com a cabeça encostada á parede.
Quando um homem consegue o privilégio de ser realmente muito desejado (é raro, porque as mulheres ainda são mais dispostas e incentivadas a amar que desejar) o ato de sugá-lo dando -lhe prazer é algo entre um tipo de devoção e o prazer de senti-lo no gosto, na língua.
É um se esquecer; muito próximo ao que é sugar e lamber os seios de uma mulher pela qual se sente um desejo doído, ao mesmo tempo que se sente muito…muito bem, era o que ela pensava enquanto agarrava-lhe as coxas.
Ficou curtindo aquele gosto durante um tempo, até que levantou-se, subindo mais a saia , baixou a calcinha o suficiente para que pudesse num movimento com os dois dedos oferecer-lhe o clitóris para que lambesse.
O contato da ponta da língua no clitóris fez com que ela enrijesse as pernas ficando quase na ponta dos pés e fosse discretamente reforçando o movimento, até que, pressentindo o gozo, baixou rapidamente a calcinha abrindo melhor a pernas para que ele pudesse lambe-la totalmente enquanto gozasse.
gozo, cansaço, ida ao quarto para trepar na cama, e a certeza de que algo decisivo havia acontecido ali

Gostei muito de ler.
É sublime.